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Entrevistas e Artigos

Fear Factory - ENTREVISTA - Outubro/2009



Burton C. Bell: "O ENTROSAMENTO DESTA FORMAÇÃO ESTÁ ÓTIMO!"

Por Ricardo Batalha


A banda norte-americana Fear Factory, que se apresentará pela primeira vez no Brasil no dia 4 de dezembro (sexta-feira), no Espaço Lux, em São Bernardo do Campo (SP), surgiu há vinte anos e foi responsável pela fusão do Metal Industrial e Death Metal. Com seis álbuns de estúdio lançados, o grupo já figurou com destaque nas paradas da Billboard e singles como "Shock", "Descent", "Cars", "Linchpin" e "Bite the Hand That Bleeds" também obtiveram boas colocações nos charts dos Estados Unidos. O grupo atualmente conta com Burton C. Bell (vocal), Dino Cazares (guitarra, Brujeria, Asesino, Excruciating Terror), Byron Stroud (baixo, Strapping Young Lad e Zimmer's Hole) e Gene Hoglan (bateria, Strapping Young Lad, Dark Angel, Death, Testament e outros), que estão entrosados e trabalhando em um novo álbum de estúdio, já intitulado "Mechanized".

Inicialmente esta formação seria um outro projeto, mas acabou sendo uma nova versão do Fear Factory.

Burton C. Bell:
Tenho outros projetos em andamento atualmente, incluindo um novo chamado City Of Fire, mas Fear Factory é Fear Factory. Algumas decisões foram tomadas e então esta formação começou a trabalhar e aqui estamos.

Como estão os trabalhos visando o novo álbum?

Burton C. Bell:
Antes de tudo, soa realmente como o clássico Fear Factory. O entrosamento desta formação está ótimo! Dino e Gene Hoglan estão bem coesos. As músicas novas têm elementos que remetem a fase clássica da banda. Isto não quer dizer que estamos nos repetindo, mas avançando. Eu diria que é o progresso do som do Fear Factory.

Como responsável pelas letras do Fear Factory, o que você poderia adiantar sobre os temas que está escrevendo neste novo álbum?

Burton C. Bell:
O título do álbum é 'Mechanized', que obviamente faz referência ao mundo mecanizado em que vivemos. Escolhi não escrever sobre temas de ficção científica desta vez porque ao olhar ao meu redor e ver as coisas horríveis que presenciamos no mundo hoje em dia, especialmente em questões de tecnologia que nos são impostas, senti que isto não deveria passar em branco. A realidade seria mais aterrorizante que qualquer outra coisa. É uma coisa bem pontual, sobre coisas que acontecem hoje em dia e o quanto podem ser assustadoras.

Apesar da banda ter cancelado shows na Europa, vocês farão shows pela América do Sul em dezembro. Qual a expectativa por esta primeira visita ao Brasil com o Fear Factory?

Burton C. Bell:
Vou matar minha expectativa quando chegar aí e ver os fãs curtindo um show forte, que terá um set com algumas músicas novas e várias clássicas. Será bem intenso, ainda mais com esta formação. Tomara que todo mundo se divirta!

Como você vê o impacto da música do Fear Factory no cenário do Metal desde o primeiro lançamento, em 1992?

Burton C. Bell:
Fico feliz pela banda ter tido todo este impacto. Quando surgimos as cenas do Death Metal e do Grindcore eram enormes, só que não havia ninguém misturando as coisas. Quando o Demanufacture saiu, nós realmente levamos as nossas coisas mais adiante e aí sim criamos uma mescla para nós mesmos, o que foi bem interessante porque deu uma identidade real para a banda. Ter sido uma inspiração e fonte de influência para novas bandas foi uma coisa muito boa. É muito legal você ver jovens usando o talento a partir de coisas que criamos, os inspirando para serem criativos artisticamente.

Você acredita que o estilo criado pelo Fear Factory chamou a atenção porque unia diferentes tendências e agrupava o background musical de cada integrante?

Burton C. Bell:
Olhando para trás, penso que aquilo que criamos foi uma coisa especial. Estou sendo humilde, mas fizemos algo que curtimos, que chamou nossa atenção e por isso acabou sendo algo especial. Sinto-me honrado quando fico sabendo que servimos de influência para alguém, me dá uma sensação de ter cumprido uma missão com êxito.

Quando se pensa em anos 90, nomes como Fear Factory, Ministry, Prong e Faith No More são logo lembrados. O que você pensa da década que fez sucesso, enquanto outras bandas de Heavy Metal Tradicional e Hard Rock fracassaram?

Burton C. Bell:
Os anos 90 foram um período interessante para a música. Veja, por exemplo, a internet. Tudo isso começou naquele período, mais para o final da década. Mas acredito que foi a última grande fase para grandes bandas, que eram especiais com grande ânimo por parte dos fãs pelo Ministry, Megadeth, por exemplo. Então veio a internet com tudo e muita gente ficou totalmente perdida no meio de tudo aquilo.

Anos atrás você comentou que estava frustrado e que muita gente só o via como um cara do meio Metal.

Burton C. Bell:
É verdade, mas foi em um período que eu estava buscando botar para fora as coisas que estavam em minha mente. Como sempre disse, eu ouço diferentes tipos de música e não sou simplesmente aquele típico cara do Metal. Por sinal, não sou aquele cara em nenhum estilo específico, eu sou um apreciador de música. Estava realmente frustrado porque também no Metal não havia nada inspirador. Havia muitas bandas trabalhando, mas nada de especial. Fiquei entediado e quis fazer alguma coisa diferente, algo que já estava pensando, para depois seguir em frente e me colocar onde estou no momento, com três bandas ativas – Ascension of Watchers, City of Fire e, é claro, Fear Factory – e em cada uma delas posso explorar diferentes ideias.

Como foi para você participar da banda G//Z/R, do baixista Geezer Butler (Black Sabbath), e gravar o álbum "Plastic Planet"?

Burton C. Bell:
Este foi um dos pontos altos da minha carreira e uma grande fase, ainda mais porque o Fear Factory tinha acabado de gravar o "Demanufacture" e o álbum estava para ser lançado. Só de ter ido fazer o teste para a banda de Geezer já foi uma coisa legal, porque obviamente eu sabia de toda a história do Black Sabbath. E quando fiquei sabendo que havia conseguido o posto me senti honrado e privilegiado. Foi uma grande fase, que nunca vou me esquecer. Agora faço parte do catálogo da história do Black Sabbath (risos).

Vocês ainda estão tendo problemas com Christian Olde Wolbers (baixo/guitarra) e Raymond Herrera (bateria) envolvendo o nome Fear Factory?

Burton C. Bell:
Não gostaria de preocupar os fãs com isso, mas cedo ou tarde teremos uma solução definitiva. Por agora só existe um Fear Factory e vamos ver o que vai acontecer.

Estas obrigações contratuais chegaram a atrapalhar a carreira do Fear Factory?

Burton C. Bell:
Não, porque tudo vem sendo feito da maneira certa. O que acontece é que há muitos mal entendidos envolvendo o Fear Factory porque eles vêm de informações desencontradas. O que foi dito deveria ter ficado conosco e não ido a público. Mas os fãs não precisam se preocupar, porque agora só existe um Fear Factory.