08 de Fevereiro 2010
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Entrevistas e Artigos

Confronto, Bandanos, Linha de Frente, Still X Strong - Galpão do Jabaquara (São Paulo/SP) - 25/04/2009




Texto Márcio Sno / Fotos: Mauricio Santana

A noite era de festa com a comemoração dos 10 anos do Confronto, que foi presenteado com a gravação do DVD oficial da banda, tendo direito à superprodução de som e luz.

A mais importante banda de hardcore carioca escolheu o Galpão do Jabaquara (tradicionalmente conhecida por abrigar a “Verdurada”, evento que reúne bandas, materiais e pratos vegan) para esse registro histórico e pouco visto no meio alternativo. Por tudo isso, o público foi formado por pessoas de vários lugares como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Brasília, interior e capital de São Paulo, que lotaram o espaço.

Os paulistas do Still X Strong fizeram a vez de anfitriões com sua proposta vegan straight edge (SxE). Tocaram um hardcore rápido com vários toques de metal, principalmente nas guitarras além de um vocal rasgado e gritando mensagens sobre vegetarianismo e os direitos dos animais. Na segunda metade de seu set, público e banda já se misturavam nas músicas cantadas em coro e nos diversos stage divings que marcaram toda a noite. Set curto, mas apresentaram o fundamental, saindo bastante aplaudidos.

De Brasília, veio o Linha de Frente, que também segue o SxE, mas apresenta algo diferente: dois vocais. Não pense que a proposta desses dois vocais seja colocar um grave e outro agudo, pois ambos têm a mesma intensidade, guturalmente falando. Destaque para a performance do baixista Rodrigo Leite que parecia estar possuído por algo sobrenatural! Porém a dos vocalistas foi prejudicada pelo pouco espaço do palco, pois constantemente estavam se trombando. A banda investe mais no peso que na velocidade, mas isso não impediu que colocasse para agitar o povo que passou a incendiar o set após o discurso de “Gritos do Silêncio” e quase botasse o palco abaixo com a música que fecharam: “Vegan/Straight Edge”. Pode-se dizer que voltaram para a capital do país certos da missão cumprida.

O vocalista do Bandanos, Crisplatterhead, antes de começar sua apresentação, anunciou: “vamos acelerar um pouco a guitarra e a bateria”, prenunciando o que vinha na sequência, ou seja, som rápido, curto e grosso, sem meios termos. Já na primeira música, botaram todos para pularem, numa energia que parecia inesgotável, num clima de destruição total, com o público interagindo ferozmente com a banda. A performance de Cris é muito boa, o cara parece um inconsequente, uma criança, resultando em dois microfones quebrados ao final do set, porém, uma das apresentações mais quentes da noite.

O Confronto iniciou seu show com muita fumaça e com o som de “Ossos e Carne Diante o Desespero” que deu um clima muito especial e um prenúncio do que seria sua apresentação. Luzes especiais foram revelando aos poucos os integrantes ovacionados pelo público que gritava em coro o nome da banda que retribuiu com a já clássica “Santuário das Almas”.

Nesse instante o local já estava tomado e o público se dividia em stage divings e circle pits cheios de energia e que já são tradicionais nas apresentações da banda. Quem estava um pouco mais distante, pôde sentir nesse momento o quanto banda e público têm grande sintonia e o porquê escolheram esse local para realizar esse registro. Foi de encher os olhos.

O público cantou e agitou muito, dando a impressão de que seria o último dia de todos ali naquele local, principalmente em “Negação”, som que fechou a noite, quando o palco foi dividido com público que queria de alguma forma cantar junto com o vocalista Chehuan.

A banda saiu do palco aclamada, com uma ótima apresentação e reforçando o vínculo do Confronto com a capital paulista.

O underground nunca presenciou um espetáculo tão interessante e profissional quanto o que aconteceu no Galpão do Jabaquara durante a gravação desse DVD. Um presente muito mais que merecido para uma das bandas mais importantes do cenário hardcore do Brasil e uma das mais respeitadas no exterior das bandas brasileiras. Uma noite para ficar na história, não só do Confronto, mas do hardcore nacional. E mundial, por que não?