03 de Setembro 2010
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Entrevistas e Artigos

AGGRESSION TALES - ENTREVISTA - Agosto/2008




Thrash e literatura de agressão

Por Maurício Dehò

Juntar Metal e literatura não chega a ser novidade. Mas estes paulistas do Aggression Tales conseguiram inovar em seu Thrash Metal. Além de influência para as letras, eles usaram o interesse pelo horror de autores como Edgar Allan Poe para investir na prática, escrevendo contos. Explicando melhor: para cada faixa deste primeiro álbum, Scribbles in Blood, há um conto específico que ajuda a contar a história do psicopata Daniel. A banda apresenta um som de primeira, misturando a tradição do Thrash dos anos 80 com influências modernas. Confira o papo com o guitarrista Felipe Ruiz.

Como surgiu a idéia de misturar a literatura de horror com o Thrash do Aggresion Tales?

Felipe Ruiz:
A gente sempre curtiu ficção em filmes e livros, e fomos muito curiosos em áreas como a psicopatia. Foi influência sempre de histórias de terror, filmes dos anos 80. De autores, gosto muito de Edgard Allan Poe, acho que foi o cara que mais inspirou nossa “literatura agressiva”. O projeto que tivemos foi o de inserir estas idéias em forma de contos e nos expressarmos não só por meio de letra e música. Cada faixa tem um conto, a letra fica subliminar e tem o seu significado completado por ele. Pensamos que seria uma maneira bacana de unir Metal com a psicopatia, a idéia da agressão.

Você disse que a letra não explicará toda a história. Como os contos serão disponibilizados?

Felipe:
O site www.aggressiontales.com vai ter tudo. O CD Scribbles in Blood é um pacote e não só o play. O site ainda tem dois bônus, com o cover do Exodus (Strike of the Beast), e Red and Dead. Nesta faixa, ao invés de o conto, fizemos o videoclipe. O lance da letra, não quer dizer que ela não seja auto-explicativa, o conto vem para justificar, para que o ouvinte/leitor entenda a estória melhor, de maneira completa. Somos uma banda conceitual e todas as estórias são frutos da nossa própria imaginação, inspiradas nesses autores.

Quem ficou responsável pelos contos?

Felipe:
Pegamos algumas pessoas que tem alguma ligação com a literatura e que tinham alguma intimidade conosco, amigos nossos. Nós passamos o conceito que pretendíamos e eles desenvolveram o trabalho, que assim teve uma grande variedade entre uma música e outra. Partimos da música para chegar aos contos e foi sendo contada a história do Daniel, o psicopata que é a personagem principal do disco.

Sobre o que trata a história, basicamente?

Felipe:
Pelo fato de abordarmos a psicopatia, tentamos deixar claro, em primeiro lugar, que não é uma forma de apologia à violência. É um jeito de explicarmos, de uma forma “divertida” algo que é macabro, mas pelo qual temos um interesse grande. Sobre a história, é legal as pessoas tirarem as próprias conclusões, mas contamos a vida conturbada de um psicopata, desde o nascimento, com o pai alcoólatra, até ele chegar ao estopim e começar os seus assassinatos. Isso tem início a partir de uma cena que ele vê na rua, em que uma menina é violentada. Ele mata o cara, mata a menina e parte para uma trajetória de atrocidades que só ouvindo e lendo para saber (risos).

Outra idéia, mas na parte musical, foi juntar tipos de Thrash...

Felipe:
Eu tenho influência do Thrash dos anos 80: Slayer, Testament e Megadeth. Quisemos tentar misturar o que tem de melhor no estilo hoje, com o de antigamente. Já o Élcio traz muito do Hardcore e do alternativo, o que é muito legal. O lance da mescla é fazer algo que soe Aggression Tales, mas que seja puramente Thrash.

Apesar de conceitual, Scribbles in Blood é curto, com pouco mais de meia hora. Foi algo pensado?

Felipe:
Queríamos um disco direto, bem na cara. Para colocar Thrash Metal goela abaixo e não deixar o ouvinte respirar enquanto estiver ouvindo o disco. Resolvemos colocar os bônus para dar um algo mais e que só aparecerá nesta primeira tiragem.

O disco foi lançado pela Collision Records e pode ser baixado na íntegra pela Internet. Como está sendo este trabalho?

Felipe:
A Collision é um selo com o esquema de divulgação todo online, então, você encontra as informações no site, todos os discos estão para download. É o pacote completo, faixas, encartes, letras. Teve uma coisa legal também que foi o tributo ao Anthrax e ao Faith No More, ambos com autorização e que saíram como tributo oficial brasileiro. É uma proposta de ajudar o meio underground, de qualquer lugar do mundo. Inclusive, o Élcio é um dos proprietários da Collision e está ajudando nesta divulgação do selo.

Como uma banda que nasceu na época do download, essa é a melhor saída?

Felipe:
Minha opinião vem de um workshop do Guilherme Arantes, em que ele falou, quando essa moda ainda nem estava em alta, que esse é o futuro. E é o que estamos vendo. Para mim, na maioria das vezes o download mais ajuda que atrapalha. É muito legal você pegar um disco de uma banda que fez um puta trabalho, com arte, música, ficou meses pensando como seria seu CD. Tudo isso tem um valor, então, se você gosta muito, vale a pena ir à loja e comprar o disco original. Mas o download veio para ajudar, para quem não tem acesso e não pode comprar ter esta chance.

O Élcio está na Europa, estudando e tentando divulgar a banda. Como foi isso?

Felipe:
O Élcio está lá desde maio de 2007. Assim que terminaram as gravações ele embarcou e está morando em Dublin, na Irlanda. Está se virando, mas foi, principalmente, para divulgar o Aggression Tales e a Collision, conseguir contatos. E eu vou para lá também ajudar, para conhecermos o mundo do Heavy Metal lá fora, como funciona, e tentar uma chance de fazer funcionar a banda lá fora. O importante agora é colocar o pé na estrada.

Site oficial: www.aggressiontales.com