08 de Fevereiro 2010
Edição #133
2010

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Entrevistas e Artigos

Helloween/Gamma Ray - Recife/PE - 27/04/2008








ÚLTIMA PARADA DA "HELLISH TOUR" NO BRASIL

Por Gilson Coscia

Última parada da "Hellish Tour" no Brasil, Recife. Após passar por sete cidades brasileiras, era o encerramento da maior turnê já realizada pelo Gamma Ray e Helloween em nosso país. Chegou o tão esperado dia, 27 de abril de 2008, uma data que será marcada para o resto da vida dos quase cinco mil presentes no Chevrolet Hall, uma casa de show magnífica com um som beirando a perfeição, com palco imenso, dois telões gigantes para a platéia não perder nenhum momento do show.

Domingo, no aeroporto, exatamente as 14h30, as portas se abrem e o pessoal das bandas começa a sair - para surpresa deles, umas cinqüenta pessoas os aguardava com ansiedade. Além de várias fotos, autógrafos (até em guitarras), todos foram atendidos e ficaram satisfeitos pelo carisma das bandas. Uns dos mais assediados foi o vocalista/guitarrista Kai Hansen, que com muita paciência atendeu a todos. Devido o curto espaço de tempo, os técnicos de som foram direto para o local do show, sendo que os músicos rumaram para o hotel descansar. Dessa vez, não houve passagem de som por parte das bandas, ficando toda responsabilidade para os técnicos.

Uma fila imensa de fãs da capital e várias outras cidades rodeava o Chevrolet Hall, a expectativa crescia quanto mais se aproximava o início do show. Por uma atitude inteligente da produção da casa, os portões foram abertos com uma hora de antecedência, a galera teve sorte e pode acabar com o estoque de camisetas vendidas pelas bandas em um estante provisório montado, sendo a camiseta de manga longa do Gamma Ray, com a turnê escrita no verso, a mais procurada. Após algum tempo o público tomou conta das dependências da casa.

Pontualmente às 21h, as cortinas se abrem e feixes de luzes vermelhas direto no pano de fundo estampam a capa do álbum "Land Of The Free Part II". Os primeiros acordes soam com a introdução 'Welcome', surge Dan Zimmermann em pé na sua bateria socando o ar enquanto os outros integrantes do Gamma Ray entram no palco para detonar. Liderando com seu notável talento, o mestre Kai Hansen com sua guitarra em V, muito peso e força para a música 'Into The Storm', recebida com muita vibração pelo público presente. O show segue com a clássica 'Heaven Can Wait' e, na seqüência, 'New World Order'. Com um set de 75 minutos a banda não perde tempo e vem com muita energia com a agressiva 'Fight' e a empolgante 'Empress', que contagiou o público. Destaque para Dirk Schlächter, agitador, além de excelente baixista onde auxilia Kai nos backing vocals, função que por vezes, toda a banda executa. Voltando onze anos, quando o primeiro álbum com a formação atual era lançado - "Somewhere Out In Space" -, a banda executa a clássica 'Valley Of The Kings', seguida por 'Rebellion In Dreamland', uma música cativante onde o guitarrista Henjo Richter esbanja tranqüilidade na execução dos solos mais rápidos e complicados. Detalhe que ele estava usando óculos de grau devido a infecção nos olhos, mas não se intimidou e mostrou sua habilidade e carisma com o público.

No hino 'Heavy Metal Universe", Kai interagia com a platéia e mostrava o porquê de carregar a fama de ser um dos criadores do Heavy Metal Melódico, comandando um coro com o público. A próxima fica com a sensacional 'Ride The Sky' (música da época clássica do Helloween que o Gamma Ray executa com freqüência no seu setlist), um grande momento entre a banda e o público presente que delirou. A banda parecia se despedir com 'Somewhere Out In Space', mas em pouco tempo retornou com o último clássico, 'Send Me A Sign'.

Kai Hansen & Cia mostraram como se faz o verdadeiro Power Metal Melódico, numa performance de tirar o fôlego. Uma apresentação perfeita, sem falhas. Uma banda empolgada e feliz com a reação da platéia. Acredito que esse possa ser listado entre os melhores shows da banda no Brasil, não é à toa que muito se comentava entre alguns presentes ali que o Helloween teria que se esforçar bem para fazer uma apresentação que não ficasse ofuscada pela detonação do Gamma Ray.

Ao som do hino 'For Those About To Rock (We Salute You)', do AC/DC, o Helloween entrou no palco com nada menos que a música 'Halloween' e seus longos minutos de duração, seguida por 'Sole Survivor' e 'March Of Time'. Com a presença marcante do fundador Michael Weikath, ao lado direito do palco, veio a nova 'As Long As I Fall' e a clássica 'A Tale That Wasn't Right', relembrando o grande passado dos fabulosos "Keeper Of The Seven Keys".

Para descanso da banda, o batera Dani Löble faz um solo em homenagem ao Brasil, com bases pré-gravadas de samba (urgh!). Após esse pequeno intervalo 'The King For A 1000 Years', onde o guitarrista Sascha Gerstner mostra seu talento, e a mais esperada 'Eagle Fly Free', quase levando o Chevrolet Hall abaixo. Para um descanso a todos vem outra música longa 'The Hells Of The 7 Bells' e, na seqüência, 'If I Could Fly'. Para finalizar a primeira parte nada menos que 'Dr. Stein', aclamada por todos. Após isso a banda resolve realizar uma medley com 'Perfect Gentleman', 'Power' e um trecho pequeno de 'Kepeer Of The Seven Keys'. E assim terminou o set do Helloween, abrindo espaço para a já esperada jam com o Gamma Ray, executada através de dois clássicos marcantes da banda na época em que ainda contava com Kai Hansen como guitarrista, 'Future World' e 'I Want Out'. Mostraram em dez minutos o que se pode realizar com grandes músicos num palco!

E assim terminou essa data histórica, que ficará marcada na memória do público presente. Noite de muita chuva na cidade, onde no final prevaleceu a eficiência, experiência e competência das bandas.