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SUICIDAL TENDENCIES
Imperator - Rio de Janeiro/RJ
27 de abril de 2017
Por Daniel Dutra / Fotos: Luciana Pires

Trinta de agosto de 1994. Três dias depois da primeira edição do Monsters of Rock no Brasil, realizado no Pacaembu, Suicidal Tendencies e Slayer aportaram no Rio de Janeiro como uma pequena amostra do festival. O Slayer era a atração principal, mas para mim o Suicidal Tendencies havia se tornado um aperitivo ainda melhor graças a Jimmy DeGrasso, que destruiu tudo com uma performance arrasadora em São Paulo. Vinte e sete de abril de 2017. Quase 23 anos depois, eu estava de volta ao Imperator para assistir a Mike Muir e companhia novamente com um baterista dando um molho todo especial ao evento: o monstro Dave Lombardo. Mas antes teve o La Raza...

Justiça seja feita, porque Panda (vocal), Bombeck (guitarra), Juninho (baixo), Matricardi (bateria) e o DJ Daimon se esforçaram. Encontraram uma casa às moscas – um frio na barriga diante da possibilidade de a noite ser um fiasco de público –, mas tocaram como se estivessem diante de uma pista lotada. No entanto, não empolgaram os poucos que resolveram trocar a cerveja dos bares próximos pela banda de abertura. Nem mesmo as menções ao Suicidal Tendencies surtiram efeito, porque o principal não convenceu: a música. A banda paulista soa como Charlie Brown Jr. mais pesado, ainda que suficiente para ser a trilha de abertura de “Malhação”. Tire suas próprias conclusões.



Não muito depois, a introdução de “You Can't Bring Me Down” anunciou que a brincadeira havia ficado séria. Um a um, Mike Muir (vocal), Dean Pleasants e Jeff Pogan (guitarras), Ra Díaz (baixo) e Lombardo entraram no palco e iniciaram o massacre do Suicidal Tendencies com a joia extraída de “Lights... Camera... Revolution!” (1990). Já com um bom número de pessoas presentes, foi o início do ‘circle pit’ quase sem trégua durante os quase 90 minutos de show. Emendar com a porrada “I Shot Reagan”, do autointitulado disco de estreia, lançado em 1983, ajudou bastante.



Ligado em 220 v, Muir era a inspiração para os fãs fazerem da roda um verdadeiro liquidificador humano. Mas Pleasants, Pogan e Díaz não ficavam atrás, agitando o tempo inteiro e também interagindo com a plateia, que respondeu muito bem ao material de “World Gone Mad” (2016). Aliás, sejamos sinceros, “Clap Like Ozzy” e, principalmente, “Get Your Fight on!” serviram também para babar um pouco com Lombardo. E imagine aquele material mais hardcore, como “Freedumb” e “Cyco Vision”, ambas de “Freedumb” (1999), com a pegada única e as viradas insanas que apontaram um novo direcionamento para a bateria no thrash metal. Vai tocar assim...



Não à toa Lombardo foi absurdamente ovacionado – e reverenciado – ao ser apresentado por Muir. Até mesmo por seus companheiros de banda. E olha que o melhor ainda estava por vir. “War Inside My Head”, “Subliminal” e “Send Me Your Money” foram de arrepiar, mas foi aí que o vocalista resolveu perguntar se havia skatistas na casa. Era hora de “Possessed to Skate”, mas a surpresa ficou pela conta da invasão de uma multidão de fãs. A convite de Muir, vale ressaltar, e todos lá ficaram também durante “I Saw Your Mommy”. Rolou até mesmo um pequeno ‘circle pit’. Acredite, amigo leitor, foi lindo.



“How Will I Laugh Tomorrow” fez com que a roda na plateia fosse intercalada com o coro de ‘today’ acompanhado de punhos para o alto, interação que ganhou ainda mais força com o hino “Pledge Your Allegiance”, afinal, Muir resolveu chamar todo mundo de volta ao palco, e os gritos de ‘ST’ e ‘suicidal’ viraram uma tremenda festa regada a sorrisos de fãs que pareciam não acreditar no que estava acontecendo – como o raio havia caído duas vezes no mesmo lugar, muita gente aproveitou para tirar selfies com os integrantes durante a música. Visualize a cena...



Bom, tivesse alguns anos a menos – e se a saúde permitisse –, este que vos escreve talvez tivesse mandado a compostura para as cucuias. Sim, é para você ter noção do clima de altíssimo astral do show. Um show para lavar a alma, tanto que a ausência do bis, que teria “Living for Life”, não incomodou ninguém. Até porque os responsáveis pelos problemas técnicos que encurtaram a noite em uma música foram os fãs que minutos antes estavam se acabando com a própria banda em cima do palco. Mas acredite, amigo leitor, foi lindo.



Set list
1. You Can't Bring Me Down
2. I Shot Reagan
3. Clap Like Ozzy
4. Freedumb
5. Trip at the Brain
6. Get Your Fight on!
7. War Inside My Head
8. Subliminal
9. Send Me Your Money
10. Possessed to Skate
11. I Saw Your Mommy
12. Cyco Vision
13. How Will I Laugh Tomorrow
14. Pledge Your Allegiance



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